12 febrero 2008

Vamos falar sobre O TEMPO...

"É PRECISO RECONQUISTAR O TEMPO".
Acabo de retomar a minha tão atrasada leitura e tive o prazer de me deparar com um texto bárbaro, cujo título é o que citei acima em letras maiúsculas. O texto (uma entrevista de Thiago Domeneci à Olgária Matos - filósofa renomada, doutorada na França e professora aposentada da USP) está na revista CAROS AMIGOS ESPECIAL que comprei em dezembro do ano já passado (NOSSA! O tempo voa...), mas que só agora li e preciso divulgar aqui, para todos aqueles (e me incluo nesse grupo) que sempre reclamamos da falta de tempo. Seguem alguns trechos da entrevista:
"Essa idéia de que você não tem tempo é a forma mais perversa de alienação. Marx já dizia isso, a forma mais perversa não é a alienação do trabalhador com relação ao produto do seu trabalho e ao sentido do trabalho, é a alienação do tempo. Você não ser o senhor do seu tempo, você é determinado pelo tempo das coisas e não escolhe mais a sua vida. Um empresário trabalha 24 horas e não pára um segundo - esse empresário na visão de um homem da Idade Média vive pior do que um servo da gleba. (...) Hoje, há uma total fusão entre a econômia de mercado e a sociedade de mercado, não há mais espaço de autonomia, porque a política nada mais é do que a realização do status quo econômico. (...) Esse sentimento de não ter tempo é a manifestação de algo estrutural na sociedade, que é o trabalho. O trabalho é totalmente esvaziado de sentido, no mundo capitalista, com a automação do movimento do gesto do trabalhador. Quem captou muito bem a modernidade do tempo completamente sem sentido do trabalho alienado foi Kafka. No livro O Processo, por exemplo, quando o personagem chega para tentar descobrir qual é a condenação e nunca vai saber qual é a sua culpa e nem qual é a condenação. O que ele vê? Vê um funcionário espancando um sentinela e pergunta: "Por que você está espancando?" O funcionário não pára de espancar e fala: "fui contratado para espancar, então espanco". É o trabalho alienado. O trabalho continua sendo o trabalho alienado que esmaga fisica ou espiritualmente, porque não tem sentido nenhum. Agora, a monotonia contemporânea é o tempo de longa duração, e no capitalismo essa longa duração é insuportável, por isso as pessoas querem matar o tempo, porque não sabem o que fazer com o tempo livre."
Quando questionada a respeito da tecnologia no nosso tempo (mais tecnologia, menos tempo), ela diz o seguinte:
"As tecnologias fazem parte de um desejo de novidade, mas não são o novo. Porque o novo é muito raro acontecer, a última grande invenção da ciência deve ter sido no século XIX, comecinho do século XX. Agora estão desenvolvendo o que já foi descoberto até a Primeira Guerra Mundial ou por volta disso. Mas você tem uma pulsão da novidade. Porque, como o que domina todo o imaginário, todo o ritmo da vida biológica e todo o ritmo da vida cotidiana é a produção e o consumo de mercadorias, a consciência disso está pautada pela sucessão e a substituição rápida do mesmo. (...) O que Marx dizia? Você tinha a infra-estrutura da sociedade, que é o modo de produção e o modo de apropriação, e tinha uma superestrutura, que eram as produções culturais da sociedade - arte, religião, filosofia, ideologia, ciência e tecnologia. A ciência e a técnica faziam parte das produções culturais, espirituais da sociedade. Hoje a ciência e a técnica são força produtiva. Estão diretamente vinculadas ao aumento do capital, não têm mais autonomia nenhuma. O acúmulo do capital depende da tecnologia, que depende do desenvolvimento econômico. Então, como virou infra-estrutura, a ciência também está comprometida no não-pensamento. Porque do ponto de vista do conhecimento, você não tem mais a ciência, porque ela é predominantemente pragmática-operatória, cada vez operando mais com as agências de financiamento privadas ou com as agências de Estado. O que é a Fuvest senão o pensamento do computador? É o estudante mais rápido, que pega a pegadinha mais rápido. É o vazio do pensamento com funcionamento automático, então não tem pensamento. (...) Esse não-pensamento resulta, na hora do consumo, em não saber consumir. (...) Hoje você está em descompasso entre o que precisa e o que consome. Aí consome o que não precisa e precisa daquilo que não consome. Esse mal-estar da temporalidade veio da não-coincidência do que você tem e do que você deseja, mas você não deseja o que tem e aí, obviamente, como o desejo é infinito, veja só, o capitalismo veio para ficar, porque - como toda tradição filosófica e religiosa fala - somos seres carentes, seres desejantes, então a tendência é preencher o vazio da carência com objetos de satisfação. Ora, o capitalismo produz a carência, ele não quer preencher uma necessidade, ele quer criar necessidades ao infinito. Então com uma diferença minimal existente de um objeto a outro objeto para você continuar consumidor, é o tempo do consumo que determina o tempo inteiro. E o tempo da subjetividade você não tem mais. Como você percebe isso hoje? Todas as experiências humanas que necessitam de tempo, da longa duração, ficam comprometidas: amizade, relação pais e filhos, amor."
E quando lhe é perguntado sobre o que esperar do futuro, ela responde:
"E como a gente fala de futuro? Fala em mercados futuros, o futuro virou mais um valor de troca. Então quando se fala: "os jovens não têm expectativa de futuro" - eles não têm um monte de coisa porque não têm expectativa de futuro e não sabem o que fazer com o tempo. Porque esse capitalismo produz uma cultura e uma educação cuja atividade cerebral é próxima a zero. É pulsional, eu quero, vou lá e pego. Aí quer que a juventude faça o quê? Vira delinqüente ou vira entediado. Porque o tempo que lhe é imposto como a forma por excelência da vida é o consumo de bens materiais. Sem nenhum ideal de espírito. E a técnica e a ciência se desenvolvem não sabendo para aonde vão."
Sobre a inteligência artificial e a discussão da ética dos robôs e a função destes no futuro ela nos diz o seguinte:
(...) "Marx estudou o fenômeno da inversão do inanimado em animado e ele é a pessoa que foi mais longe. O inanimado toma o lugar do homem. E é claro que se pode falar em direitos humanos para robôs, porque eles não são praticados para as pessoas. Talvez sejam para as coisas, porque a alienação é um fenômeno em que as coisas ocupam o lugar do que é vivo. Então é bem possível. (...) A ciência moderna confunde liberdade de pesquisa com onipotência, só que não tem idéia de limite. Quer dizer, atividade zero de pensamento. A sociedade do narcisismo, e o narcisismo é uma coisa de não saída de si, não é o ideal do ego, é o ego ideal, fica imerso em si mesmo, não chega ao outro. A tendência disso são as sociedades da incivilidade, porque o outro não existe. Há pesquisas com crianças que ficam na frente do computador, o que do ponto de vista do amadurecimento psicológico e, portanto, da progressão do narcisismo e da onipotência é muito ruim. Você dá o comando e ele responde e isso aí aumenta muito a onipotência. A ciência é onipotente, e as pessoas também querem que aconteça na hora."
E agora, o que mais me chamou a atenção na entrevista, quando ela fala de educação:
"Você vê a própria educação. A educação é um negócio chato. Por que? Porque a criança vai para a escola e tem que ficar sentada, e ela gosta de ficar correndo, de quebrar coisas, de subir na parede. Tem aqueles mais quietos, mas, então, o que é? "Ah, agora você tem que aprender a escrever." Ah, então tem que fazer esse movimento, aí você tem que ficar sentado. Então, o que é a educação contemporânea no Brasil? Por que a educação está em crise? Por que a evasão escolar? Porque a escola não está adaptada à realidade da criança. A escola é para tirar a criança da sua realidade e criar outros hábitos. Agora, o que você faz? A criança não está adaptada, então vamos adaptar, vamos fazer massinha, vamos não sei o quê. É um tédio fora do comum. E o que acontece? A criança quebra a escola, porque ele vai fazer dentro da escola o que ele já faz melhor lá fora. Já faz capoeira fora. "Ah, vai fazer capoeira". Porque "para pobre, pouco está bom". Então dá um pouquinho de capoeira que ele já faz, porque essa é a realidade dele. Por que não lhe dar Mozart, uma aula de violino? "Ah, não. Para pobre, o pouco está bom". Tudo é assim, essa idéia de tudo rápido, tudo um pouquinho empregada na educação. Leitura? Não tem nada que exija mais tempo do que a leitura. Como é que você ensina o português? A tendência é essa hoje no mundo inteiro. O novo presidente francês Sarkozy quer tirar a literatura do currículo francês. Uma barbárie. Então, tudo o que exige tempo, quer dizer, a educação, quando ela começa a imitar esse tempo acelerado, não fala mais nada. A educação não é para te dar um pouquinho de instrumento para você se dar bem na vida e ficar rico ou ter ascensão social. Não é isso. A educação é para ensinar a ter paciência, as grandes obras de literatura são as obras que elaboram o teu rumo interno. Você tem que entender aquilo e ao entender, você se entende melhor, então é todo um mundo que desaparece. (...) O português, por exemplo, nos parâmetros curriculares nacionais consta assim: "O ensino da Língua Portuguesa visa criar cidadãos responsáveis." Pronto. Quer dizer, não tem literatura. Aí a criança é analfabeta secundária por quê? Porque não aprendeu a ler através da literatura. Então, na hora que você pega um texto mais complexo, não dá para entender. Essa idéia de que a educação tem que atender à sociedade é a incivilidade absoluta. Você dá um pouquinho, rápido e só. Você não tem todo o tempo da educação, que é o tempo de aprender a lidar com o tédio. Agora, essa escola é o tédio, ela não ensina a lidar com o tédio. Porque o tempo não existe, você tem que passar rápido para outra coisa."
Meus caros, sei que me excedi no texto, mas não dava para deixar passar...
Aproveitem o vosso escasso tempo lendo estas linhas e reflitam. Eu ainda estou refletindo. Há coisas que já fizeram parte do meu discurso e terei que repensá-las. Por exemplo, a questão do “adaptar-se”... Adaptar o quê e a quê? Existe uma nova realidade? E que realidade é essa?
Podemos não concordar com as palavras desta filósofa, mas somos obrigados a pensar a este respeito... Afinal, o que pretendemos com o nosso trabalho? Para onde estamos indo? O que estamos fazendo? Os meios justificam o fim?
(Pessoas: perdoem a configuração deste BLOG, mas apesar das minhas súplicas, nada do meu filho Ariel melhorá-lo!!! En buen español decimos: "Cria cuervos y te sacarán los ojos". Agora vocês entendem a minha ausência??? Estou morrendo de vergonha... Espero que, brevemente, o meu gorducho se digne a arrumá-lo!)

24 enero 2008

Perdón...

Después de un montón de días (casi meses), acá estoy y le pido perdón a todos aquellos que solían leer (y que espero sigan leyéndome...) mi blog por mi ausencia. Pero he tenido mis razones y trataré de explicarlas acá (aunque no le interesen a nadie):
Hace 25 (VEINTICINCO) años, cuando llegué a Brasil y a esta ciudad, con mucho miedo y sin saber lo que me esperaba, conocí a un grupo de personas, todas muy especiales y juntos formábamos "A TURMA". Inseparables, amigos de esos que sólo se puede tener a los 15 años, compañeros de clase, de sueños, de anhelos... Todo lo hacíamos juntos. Quebrábamos las reglas, arreglábamos el mundo...
Pero quiso el tiempo y las circunstancias que nos separáramos y a muchos de ellos no los había vuelto a ver. A veces los recordaba, pero siempre era algo muy lejano, meláncolico, nostálgico.
Y ahora, a fines del año que se nos fue, tuve la grata oportunidad de reencontarlos...
Parece increible que, pasados tantos años, hayamos vuelto a revivir un pasado que yo ya creía olvidado.
¡Y qué bueno ha sido!
Hemos cambiado. Estamos más viejos (más "antiguos", como diría mi querida amiga Heloisa), más serios, pero sin duda, lo que un día nos juntó sigue vivo en nosotros. Desde que hemos vuelto a reunirnos, hemos estado en contacto permanente y eso me ha quitado un poquito de tiempo.
¿Vale la excusa?
Como termina enero y con él las vacaciones (de mis amigos, porque yo no las tuve...), pretendo retomar este blog, aunque aún no esté listo - ya que decidí hacerle algunas modificaciones - y trataré de postar algo, por lo menos semanalmente.
Pido que no me echen al olvido. Es bueno saber que se puede contar con los viejos y los nuevos amigos. Mi corazón es grande y hay un espacio para todos los que en él quieran habitar.
Ahí va una fotito de un encuentro histórico. A ver si así me perdonan...


10 diciembre 2007

MENOS MAL...

Hoy, al leer uno de los tantos blogs que firmo, me he topado con esto y me pareció simplemente FENOMENAL. Lo comparto con ustedes... http://profeblog.es/blog/miguelangel/2007/09/13/la-comunicacion-humana/

PARA REFLEXIONAR, YA QUE SE APROXIMA LA NAVIDAD...

Ha llegado esto a mis manos y me gustaría compartirlo con mis queridos lectores. Quizás nos haga reflexionar y no nos culpemos tanto por actitudes que reprochamos, pero que año tras año repetimos... Es como siempre digo:
"TUDO VALE A PENA, QUANDO A ALMA NÃO É PEQUENA..."
QUÉ SER Y QUÉ HACER
Hemos perdido la capacidad de sorprendernos ante el espectáculo fantástico de la NAVIDAD. Como si algo así saliese de la nada; como si el hecho de que los grandes intereses comerciales parezcan haber tomado la iniciativa de la promoción de la Navidad, hubiese sido capaz de desvirtuar el sentido de ésta. No debiéramos extrañarnos ni menos sentir enfado porque el comercio se haya asociado a la fiesta religiosa: esa es una constante universal y eterna. Desde las primeras celebraciones religiosas estuvieron tan asociados el templo y el mercado, que es difícil, caso por caso, decir si fue la religión la que se unió al comercio, o fue el comercio el que se unió a la religión.
La primera necesidad que sintió el hombre desde que inventó la producción (la agricultura y la ganadería) fue la de las ferias o mercados, que no podían ir separados de los sacrificios, puesto que en ellos se proveía de comida para los asistentes. Eran sacrificios de comunión; comidas de hermandad que diríamos hoy. Es que la necesidad de deshacerse de los productos sobrantes, la alegría natural de todo mercadeo, la necesidad de atraer a los compradores con estímulos complementarios, y la necesidad de crear en torno a ellos un clima de disposición al gasto, fue imponiendo la creación de un paquete completo en el que el mercado propiamente dicho iba necesariamente acompañado de ritos religiosos y celebraciones profanas tanto más importantes cuanto mayor era la importancia de la feria.
En cuanto hay celebración a la vista, aparecen espontáneos los comerciantes. Es inevitable. Parece que forman parte del color de la fiesta. Es que ferias y fiestas son la misma palabra y la misma cosa con dos caras distintas. Y si las fiestas son grandes, las ferias han de ser proporcionales. Por eso, tratándose de la fiesta más grande del año, y siendo en ella los niños los protagonistas de honor, y con las ganas que tienen todos de volver a ser niños una vez al año, se entiende que las ferias sean desmedidas.
Pero lo importante de estas fiestas no es cuánto se compra, cuánto se vende y cuánto se consume, sino qué se hace. La vida está formada de la sucesión de actos, y no podemos consentir que todos los días sean iguales. A lo largo del año ha de haber estaciones que se esperan con anhelo, que llenan meses de vida.
Ese es el prodigio cultural de las fiestas. Pero si además están animadas de un espíritu especial, si no son sólo festejos, sino que además están dotadas de alma, esas fiestas se convierten en uno de los más ricos patrimonios de nuestra cultura.
Porque la Navidad tiene una especie de gracia santificante: todos los que se ven envueltos en ella sacan en esos días lo mejor de sí mismos, van con la idea de portarse lo mejor posible con todo el mundo; sacan a relucir su vena benéfica y se acuerdan de los que menos tienen. En efecto, forman ya parte de la Navidad las rifas benéficas, los donativos, la generosidad desacostumbrada, los buenos propósitos. Es realmente un prodigio de nuestra cultura ser capaz de mover tan buenos impulsos junto con una profusión de árboles de Navidad, pesebres e infinidad de adornos navideños y de un comercio desbordado.

06 diciembre 2007

Por quien merece amor...

Qué alegría saber que mi país ha reconocido el talento de este hombre, cuyas canciones me han hecho llorar desde que lo escuché por primera vez y que admiro por su obra, por su labor, por regalarnos poesía y porque, a su manera, ha colaborado con la revolución.
¡Y qué viva Silvio!

Declaran a Silvio Rodríguez Visita Ilustre de Talca
Santiago de Chile, 1 dic (PL) El destacado cantautor cubano Silvio Rodríguez, quien ofrecerá mañana un masivo concierto gratuito en Talca, 260 kilómetros al sur de aquí, fue declarado hoy "Visita Ilustre" de esa ciudad chilena.
En solemne acto, el alcalde Patricio Herrera, acompañado por su cuerpo de concejales, distinguió al trovador cubano por su larga trayectoria y por "su ejemplo en la solidaridad con la libertad y los derechos humanos de los pueblos".
La resolución respectiva de la Alcaldía de Talca recuerda que durante décadas las canciones de Silvio Rodríguez "alimentaron el alma democrática de los chilenos".
Al agradecer la distinción, Silvio Rodríguez recordó que proviene de un pueblo más pequeño que Talca (San Antonio de los Baños) y que, como sabe de donde viene, tiene muy claro hacia donde va.
En declaraciones a Prensa Latina, el concejal Carlos Soto expresó el orgullo de los talquinos por tener a Silvio Rodríguez en su ciudad y afirmó que se trata efectivamente de una de las más ilustres visitas de Talca.
Resaltó asimismo la importancia del concierto que el artista cubano brindará mañana, el que -dijo- ha atraído público, más allá de Talca, de distintas regiones de Chile y hasta de la vecina Argentina.
La semana pasada, Silvio Rodríguez participó en Santiago en un gran concierto de homenaje a la emblemática folklorista chilena Violeta Parra en el 90 aniversario de su natalicio.
Asimismo, asistió, en el Palacio de La Moneda, al acto en que la Presidenta Michelle Bachelet entregó al compositor cubano Leo Brouwer la Orden al Mérito Artístico y Cultural Pablo Neruda.